A Mercado Bitcoin, uma corretora brasileira de criptomoedas, suspendeu temporariamente os depósitos e saques após informar um incidente de segurança em um de seus sistemas durante as primeiras horas de segunda-feira, 2 de novembro de 2026.

Em uma publicação no X, a empresa afirmou que não houve perdas para os clientes nem vazamento de dados. Segundo o comunicado, suas equipes estão investigando o incidente, rastreando os ativos envolvidos e coordenando medidas com as autoridades competentes.

Duas horas após o anúncio inicial, a Mercado Bitcoin informou que continuaria atualizando os clientes por meio de seus canais oficiais. A corretora também publicou os endereços de destino identificados em transações associadas ao incidente para apoiar o monitoramento e o rastreamento de ativos em redes blockchain. Os endereços abrangem as redes EVM, Bitcoin, Solana, Stellar e Tron, e foram compartilhados exclusivamente para fins de identificação e rastreamento.

A empresa afirmou que estava trabalhando para restaurar as operações com segurança. O Olhar Digital entrou em contato com a Mercado Bitcoin solicitando mais informações sobre o incidente.

A suspensão ocorre dias depois de a Binance ter sido alvo do que o relatório original descreveu como o maior ataque hacker do setor de criptomoedas. Segundo o FBI e analistas citados pelo relatório, hackers norte-coreanos roubaram US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da corretora em 29 de outubro.

A Binance suspendeu temporariamente os saques após o ataque e os retomou parcialmente em 1º de novembro. Ao longo daquele dia, os clientes sacaram aproximadamente US$ 4,6 bilhões e depositaram US$ 1 bilhão em criptomoedas. A corretora afirmou que a saída líquida representava 2,1% dos ativos mantidos em sua plataforma e que havia reunido US$ 6 bilhões para cobrir as perdas, utilizando recursos da empresa, um fundo de seguro e uma reserva para incidentes de segurança.

Micaella Ribeiro, cofundadora da IAM Brasil e especialista em segurança da informação e gestão de identidade e acesso, afirmou que os casos refletem uma mudança no cenário das ameaças digitais. Ela ressaltou que um ataque a uma corretora de criptomoedas não significa necessariamente que a própria tecnologia blockchain tenha sido comprometida, já que a segurança da blockchain é diferente da segurança das plataformas utilizadas para comprar, vender e armazenar ativos digitais.

Segundo Ribeiro, o incidente também destaca o foco crescente dos criminosos em identidades, dispositivos e sistemas que já possuem autorização legítima para realizar operações críticas.

Fontes: Olhar Digital.