O CEO da Anthropic, Dario Amodei, sugeriu que as empresas de IA poderiam, com o tempo, cobrar preços diferentes dependendo do valor ou da complexidade de uma tarefa. Seus comentários foram feitos em uma entrevista ao podcast Dwarkesh no início deste ano e recentemente chamaram atenção na internet.

Amodei argumentou que nem todo token gerado por um modelo tem o mesmo valor. Como exemplos, ele contrapôs um conselho corriqueiro, como dizer a alguém para reiniciar um Mac, a uma orientação que ajude uma empresa farmacêutica a reorganizar uma molécula que está desenvolvendo. Ele disse que o primeiro poderia valer um dólar ou menos, enquanto o segundo poderia valer dezenas de milhões de dólares.

Ele espera que surjam modelos de “pagamento por resultados”, embora tenha dito que ainda é cedo para saber qual modelo de negócios prevalecerá. Amodei também defendeu o modelo atual de API, afirmando que ele pode durar mais do que alguns esperam, pois os desenvolvedores podem criar soluções com base nos recursos oferecidos por futuros sistemas de IA.

O documento S-1 da Anthropic informa que a cobrança baseada no uso representou cerca de 80% da receita da empresa no primeiro semestre de 2026, enquanto as assinaturas corresponderam aos 20% restantes. O documento também informa uma receita de US$ 16,3 bilhões no período. Uma mudança para preços baseados em tarefas ou resultados poderia alterar a forma como os serviços de IA geram receita, embora Amodei não tenha descrito um plano específico para introduzir esse sistema.

O documento detalha compromissos substanciais com infraestrutura. A Anthropic tem mais de US$ 600 bilhões comprometidos com infraestrutura futura, com a possibilidade de acrescentar outros US$ 150 bilhões. Seus compromissos totais com computação somam cerca de US$ 895,4 bilhões, incluindo US$ 70 bilhões com vencimento nos próximos 12 meses.

A receita da empresa cresceu aproximadamente 13 vezes, chegando a US$ 33,2 bilhões em nove meses, enquanto ela registrou um prejuízo de US$ 104 bilhões. A reportagem de origem atribui a maior parte desse prejuízo a um encargo contábil de US$ 94 bilhões relacionado a acordos de financiamento, citando a Associated Press. Na entrevista, Amodei disse que considera rentável a economia subjacente da empresa e que os prejuízos refletem principalmente avaliações equivocadas da demanda ao comprar capacidade computacional antecipadamente.

Fontes: Xataka.