Um Learjet 60 caiu perto de Palm Beach, na Flórida, no domingo, durante um voo do Texas para as Bahamas, matando todas as nove pessoas a bordo. Os investigadores ainda não determinaram a causa, mas estão apurando se o gelo e as condições de tempestade contribuíram para o acidente.
A aeronave voava a 35.000 pés quando entrou em uma célula de tempestade, por volta das 12h48. A copiloto, Nathalia Filgueiras, de 20 anos, informou ao controle de tráfego aéreo de Miami que o avião enfrentava formação de gelo claro leve e turbulência moderada.
Especialistas afirmam que o gelo acumulado nas asas poderia ter afetado a aerodinâmica da aeronave e dificultado seu controle. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) declarou que apenas um quarto de polegada de gelo na borda de ataque de uma asa pode levar a uma perda repentina de controle. O gelo também pode afetar os motores, a estrutura e os instrumentos de voo da aeronave.
O Learjet 60 tem três sistemas projetados para combater o gelo: aquecedores elétricos nas bordas de ataque das asas e dos estabilizadores horizontais, botas de borracha infláveis que fragmentam o gelo e gases quentes do escapamento que circulam sobre as asas. Os investigadores vão apurar se a tripulação sabia que estava entrando em condições de formação de gelo e se os sistemas de proteção foram ativados, segundo Mike McCormick, ex-diretor de controle de tráfego aéreo da FAA.
O ex-investigador do NTSB Gregory A. Feith disse que a aeronave pode ter encontrado gelo claro, que pode se espalhar por uma área maior do avião. Ele também levantou a possibilidade de que uma tentativa de subir para escapar da turbulência tenha provocado uma mudança brusca de arfagem e um estol do estabilizador, ou seja, uma perda de sustentação no estabilizador horizontal. Essas hipóteses ainda não foram confirmadas.
A turbulência é outro foco da investigação. Filgueiras relatou variações de altitude entre 600 e 700 pés enquanto a aeronave atravessava a tempestade. O piloto Patrick Smith disse que o deslocamento foi significativo e sugeriu que os estabilizadores horizontais podem ter sido arrancados por uma turbulência excepcionalmente forte ou por uma reação inadequada da tripulação.
Imagens compartilhadas nas redes sociais levantaram dúvidas sobre se os estabilizadores estavam ausentes pouco antes do impacto. Na segunda-feira, o integrante do NTSB Tom Chapman disse que havia indícios de que a aeronave estava se desintegrando antes de atingir o solo. Os investigadores ainda não confirmaram uma falha estrutural nem determinaram quanto cada fator individual contribuiu para o acidente.
Fontes: Olhar Digital.