Uma vacina experimental chamada camupepimut provocou um aumento da resposta imunitária em quase 99% dos pacientes vacinados num ensaio de fase 2 que envolveu pessoas com câncer de pâncreas. Os resultados foram publicados na Nature Medicine por pesquisadores associados à Mayo Clinic, nos Estados Unidos.
A vacina foi concebida para treinar o sistema imunitário a reconhecer sete mutações no gene KRAS. Essas mutações estão associadas a cerca de 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático, a forma mais comum de câncer de pâncreas. Os pesquisadores procuraram determinar se a vacina poderia ajudar a eliminar células cancerosas que talvez permanecessem após a cirurgia e a quimioterapia.
O ensaio incluiu 144 pacientes cujo câncer de pâncreas associado ao KRAS havia sido tratado com cirurgia e quimioterapia. No início do estudo, nenhum apresentava sinais detectáveis da doença. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber camupepimut, num grupo de 96 pessoas, ou permanecer sob observação, num grupo de 48.
Entre os que receberam a vacina, quase 99% desenvolveram uma resposta aumentada das células T contra as mutações do KRAS. As células T são glóbulos brancos que participam da identificação e do combate a células anormais. A resposta ainda era detectável em 95,5% dos participantes vacinados 46 semanas após o início do estudo.
No entanto, a forte resposta imunitária não se traduziu numa melhora estatisticamente significativa da sobrevivência sem doença. Os pacientes que receberam a vacina permaneceram sem doença durante uma média de 23,8 meses, em comparação com 21,2 meses entre os que ficaram sob observação. Portanto, o ensaio não estabelece que a camupepimut reduza o risco de o câncer voltar.
A vacina utiliza uma molécula de gordura que se liga à albumina, uma proteína presente no sangue, para ajudar a transportar os seus componentes até aos gânglios linfáticos, que desempenham um papel fundamental nas respostas imunitárias. O efeito pretendido é ajudar as células imunitárias a reconhecer as mutações do KRAS visadas e atacar as células que as possuem.
Os pesquisadores também identificaram possíveis fatores associados aos resultados. Os pacientes sem DNA tumoral circulante detectável no início do ensaio permaneceram sem doença por mais tempo após a vacinação do que aqueles com fragmentos detectáveis. Os participantes que não haviam recebido radioterapia apresentaram contagens mais altas de linfócitos, o que pareceu favorecer a resposta imunitária.
A camupepimut precisa ser submetida a novos testes. Os pesquisadores planejam usar os resultados da fase 2 para aperfeiçoar a vacina e desenvolver um ensaio de fase 3 de maior dimensão. O autor principal do estudo, Ben George, oncologista da Mayo Clinic, descreveu a resposta imunitária como um sinal importante do efeito biológico da vacina e um guia para pesquisas futuras.
Fontes: Olhar Digital.