O buraco de ozônio sobre a Antártida teve uma das maiores temporadas já registradas em 2026, alcançando a sétima maior extensão média desde o início do monitoramento, em 1979, de acordo com dados divulgados pela NOAA e pela NASA. De 7 de setembro a 13 de outubro, sua área média foi de cerca de 25 milhões de quilômetros quadrados — mais que o dobro do tamanho dos Estados Unidos.

O buraco atingiu sua maior área do ano em 18 de setembro, com aproximadamente 27,1 milhões de quilômetros quadrados. Isso correspondeu a cerca de 90% da extensão recorde medida em 9 de setembro de 2000.

Os pesquisadores atribuíram o tamanho incomum do buraco principalmente ao clima atípico e a um vórtice polar particularmente forte, a circulação de ventos que mantém o ar muito frio sobre a Antártida. Os sistemas meteorológicos de grande escala que frequentemente enfraquecem e desestabilizam o vórtice foram excepcionalmente fracos em agosto e setembro, permitindo que condições favoráveis à perda de ozônio persistissem em uma área maior.

A destruição do ozônio também depende de substâncias químicas produzidas pelo ser humano que contêm cloro e bromo. Na estratosfera, a radiação ultravioleta libera esses elementos, que desencadeiam reações envolvendo partículas nas nuvens estratosféricas polares que decompõem as moléculas de ozônio.

Apesar do tamanho do buraco, a perda de ozônio não foi tão grave quanto em alguns anos recordes. Paul Newman, cientista da Universidade de Maryland e ex-chefe da equipe de pesquisa de ozônio da NASA, disse ao Phys.org que, se os níveis atmosféricos de substâncias que destroem o ozônio ainda estivessem no pico de 2000, o buraco poderia ter sido de 3,5 milhões a 5,6 milhões de quilômetros quadrados maior.

Os esforços internacionais para eliminar gradualmente as substâncias nocivas ajudaram a limitar os danos. Nos termos do Protocolo de Montreal de 1987, os países concordaram em substituir substâncias químicas como os clorofluorcarbonetos por alternativas menos nocivas. O pesquisador da NOAA Stephen Montzka disse que a concentração de cloro na estratosfera antártica proveniente dessas substâncias caiu cerca de um terço em relação ao pico registrado na década de 1980.

Pesquisadores da NOAA monitoram o ozônio usando instrumentos transportados por balões e um espectrofotômetro de ozônio Dobson, enquanto satélites fornecem observações que remontam a 1979. As medições sobre o Polo Sul mostraram a menor concentração de ozônio do ano em 17 de outubro: 105 unidades Dobson. O menor valor já registrado ali foi de 92 unidades, em outubro de 2006.

A NOAA e a NASA afirmam que a recuperação de longo prazo continua, embora a recuperação completa leve tempo, pois as substâncias que destroem o ozônio podem permanecer na atmosfera por muitas décadas. Algumas também continuam sendo liberadas gradualmente por equipamentos antigos, aterros sanitários e materiais que contêm esses compostos. As agências estimam que a camada de ozônio se recuperará até a década de 2070.

Fontes: Olhar Digital.