O Google pretende tornar as Visões gerais de IA inseparáveis da experiência tradicional de pesquisa para as escolas, deixando aos administradores que queiram bloquear os resumos apenas uma opção: desativar a Pesquisa. A mudança deverá entrar em vigor no próximo ano e tem sido criticada por educadores, pais e pesquisadores de tecnologia preocupados com o papel da IA na aprendizagem.

As Visões gerais de IA aparecem no topo dos resultados de pesquisa do Google e fornecem respostas geradas por máquinas. Um recurso relacionado, o Modo IA, também incorpora à Pesquisa funcionalidades no estilo de chatbot. O Google diz que os administradores escolares poderão ativar ou desativar individualmente a Pesquisa, o Gemini e o Gemini Notebook, mas não pretende oferecer uma configuração separada para as Visões gerais de IA.

Profissionais de tecnologia escolar têm pedido uma forma de bloquear os resumos sem perder o acesso aos resultados de pesquisa tradicionais. Alguns distritos estão usando ou considerando alternativas, incluindo alterações nos URLs de pesquisa e extensões de navegador. As Escolas Públicas do Condado de Fairfax, na Virgínia, desenvolveram sua própria extensão, embora essas soluções possam deixar de funcionar se o Google mudar a forma como apresenta os resultados.

Educadores e defensores das famílias argumentam que respostas imediatas de IA podem desestimular os alunos a examinar as fontes e chegar às próprias conclusões. Também alertam que os alunos podem tratar como fatos os erros presentes nas respostas geradas. O Google afirmou que suas visões gerais passam por testes e continuam a melhorar.

A empresa diz que, a partir do próximo ano, a Pesquisa, o Gemini e o Gemini Notebook virão desativados por padrão para as escolas, e que os administradores poderão escolher quais serviços ativar. O Google também planeja lançar o Aprendizado Guiado nos próximos meses, um recurso destinado a ajudar os alunos a encontrar informações, em vez de simplesmente lhes entregar uma resposta. Alguns pesquisadores questionaram se ele pode oferecer o mesmo apoio que um tutor humano.

As escolas estão avaliando alternativas. O Distrito Escolar Unificado de Los Angeles está analisando as implicações do anúncio do Google, enquanto alguns especialistas em tecnologia educacional dizem que os distritos deveriam considerar outros mecanismos de pesquisa ou se concentrar em ensinar os alunos a avaliar informações geradas por IA. O DuckDuckGo diz que espera oferecer recursos para educadores que estejam considerando uma mudança.

Pesquisas também contribuíram para o debate. Uma análise da Stanford de estudos disponíveis há um ano levantou preocupações de que ferramentas educacionais de IA poderiam reduzir as oportunidades de praticar o pensamento crítico. Uma pesquisa do próprio Google constatou que três em cada quatro adolescentes usam IA semanalmente, enquanto cerca de metade diz verificar se as respostas estão corretas. Um estudo da Universidade de Washington em St. Louis constatou que cerca de 42% das Visões gerais de IA podiam ser totalmente verificadas por meio das fontes citadas.

Fontes: WIRED.