A startup britânica Shield Space está desenvolvendo uma proposta para proteger satélites com enxames coordenados de pequenas espaçonaves autônomas. A empresa afirma que os CubeSats poderiam usar lasers, micro-ondas ou métodos de interceptação remota contra possíveis ameaças e continuar operando mesmo se perdessem contato com os controladores na Terra.
O projeto se baseia em conceitos de guerra com drones usados na Terra. A Shield Space planeja liberar pequenas espaçonaves de um veículo maior em órbita e usá-las como interceptadoras de satélites considerados estrategicamente importantes. O cofundador e CEO Graeme Ritchie disse que a empresa pretende lançar até 100 CubeSats por menos de £100 milhões, ou cerca de R$ 700 milhões.
O interesse na proteção orbital cresceu em meio a preocupações com aproximações entre satélites. Em maio de 2026, quatro satélites militares russos teriam se aproximado do ICEYE-X36, um satélite comercial de imageamento por radar amplamente considerado uma fonte de inteligência de campo de batalha para a Ucrânia. Segundo relatos, um dos satélites russos teria passado a menos de 500 metros do ICEYE-X36 em outubro. Essa proximidade poderia interferir nas comunicações, ofuscar ou danificar equipamentos, ou obrigar um satélite a mudar de trajetória e consumir combustível.
A primeira demonstração planejada pela Shield Space, chamada Project Broadsword, está programada para o quarto trimestre de 2027 e deverá ser lançada no voo compartilhado Transporter-21 da SpaceX. Ela usará um CubeSat 8U e uma espaçonave menor, de 3U, como alvo. A empresa pretende testar se a dupla consegue reduzir a distância inicial de 100 quilômetros para 100 metros, enquanto avalia quatro níveis de autonomia, desde o envolvimento humano até um modo que descreve como quase totalmente autônomo.
A proposta ainda está em desenvolvimento. Satélites pequenos precisam acomodar propulsão, sensores, câmeras, sistemas de computação para inteligência artificial e equipamentos de defesa em um espaço limitado. A empresa também identificou restrições de peso e energia. Seus fundadores afirmam que há poucos dados do mundo real para treinar sistemas autônomos e que as simulações ainda não conseguem reproduzir todas as condições necessárias.
Também há dúvidas sobre como um sistema militar autônomo cumpriria as regras que regem o uso da força. Bleddyn Bowen, especialista em astropolítica da Universidade de Durham, comparou o conceito ao Brilliant Pebbles, uma proposta da Guerra Fria para interceptadores orbitais autônomos. Ele disse que a tecnologia exigiria anos de desenvolvimento e testes, incluindo métodos para avaliar armas cinéticas sem gerar detritos orbitais.
Os planos de longo prazo da Shield Space incluem demonstrações com dois CubeSats 16U maiores, seguidas por uma espaçonave transportadora capaz de levar dez satélites. Em última análise, a empresa prevê dez dessas transportadoras operando em diferentes órbitas para proteger regiões mais amplas do espaço. Por enquanto, os testes planejados terão de demonstrar se satélites autônomos conseguem trabalhar em conjunto e responder a ameaças sem introduzir novos riscos em órbita.
Fontes: Olhar Digital.
